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Vida em Primeiro Lugar

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“Eu vim para que todos tenha vida e tenham em abundância” (Jo 10,10)

O 32º Grito dos Excluídos, realizado no último dia 7 de setembro de 2026, nas dependências do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), teve como tema: Vida em Primeiro Lugar! e, como lema deste ano, Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania. Essa temática teve o objetivo de ecoar as vozes dos invisibilizados, evidenciar o grande problema das questões ambientais, o grito das mulheres que são violentadas, de tantas vítimas do feminicídio que por vezes não tiveram suas vozes ouvidas. É importante refletir esses temas a partir de iluminações bíblicas, para que não seja apenas uma atividade social, mas esteja intimamente ligado a questão espiritual, bíblica e evangélica.

Quando falamos em defesa dos invisibilizados, excluídos, nos posicionamos em defesas das mulheres que sofrem violência e contra o feminicídio, não estamos entrando numa luta social classista, mas estamos defendendo um princípio evangélico cristão. É Jesus que segundo São João nos fala: “Eu vim para que todos tenha vida e tenham em abundância” (Jo 10,10).

Jesus não é um revolucionário político social, seu projeto é instaurar o Reino de Deus, um Reino de amor, de equidade, de justiça, onde se respeite a dignidade do ser humano. Portanto, Ele defende que essa dignidade seja respeitada porque o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus e isso lhe confere vida em abundância. Segundo São Mateus, quando defendemos a dignidade humana saciando a fome e a sede dos famintos e sedentos, vestimos os nus, visitamos os encarcerados, os doentes, acolhemos o estrangeiro, é a Ele que estamos fazendo tudo isso (Mt 25,35-40).

A algum tempo estamos vivendo uma crise socioambiental como nos apresenta a Laudato Si; defender as questões ambientais não é mera política como insiste em nos dizer o Papa Francisco na Laudato Si e Querida Amazônia, mas um princípio bíblico que permeia toda a história da Criação. É Deus que cria o ser humano e todas as coisas, e confere a ele o poder de cuidar da criação.

Esse poder não é predatório, mas do cuidado, porque como disse o Papa Francisco: tudo está interligado. Por isso é muito importante a conscientização sobre as consequências ambientais que as nossas ações podem causar, seja a considerada menor, de jogar uma casca de bombom no chão, ou aquelas que em nome do desenvolvimento e do capital destroem o meio ambiente e até ceifam vidas. Portanto o cuidado com a Criação é um princípio bíblico, e por que não dizer cristológico? Porque o Filho é coeterno ao Pai e como no diz São João: “Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito” (Jo 1,3).

Foto de Mateus Cabral

Portanto, o 32º Grito dos Excluídos realizado neste ano de 2026, objetivou conscientizar, a população como sociedade civil, movimentos, pastorais, lideranças governamental e não governamental, o poder público em geral e todo o povo, da importância de cuidar da Criação, defendendo os direitos e dignidade do ser humano, cuidado das plantas e dos animais, porque toda vida nos diferentes âmbitos da vida humana tem a sua importância. E para falar da importância do Grito do Excluídos nesses 32 anos de sua existência, o padre Alcimar Araújo, vice-presidente da Cáritas arquidiocesana deu a sua contribuição.

Padre Alcimar ressaltava que o Grito do Excluídos é uma manifestação que nasceu de uma Semana Social Brasileira que levou a perceber a importância de dar voz e vez aos excluídos e excluídas. Então, por 32 anos, as pastorais e movimentos sociais com o apoio da Igreja Católica, vão às ruas num ato importante em defesa dos invisibilizados. E por 32 anos esse movimento tem mostrado um protagonismo da sociedade civil em relação às reivindicações e à organização social. Esses movimentos ganharam voz e se fortaleceram na defesa da dignidade humana e contra políticas que retiram direitos sociais e ambientais.       

Para o padre Alcimar, é muito importante que a gente como sociedade civil, se manifeste e resista a uma avassaladora política que tende sempre favorecer aqueles que detêm o poder aquisitivo privado e público, enquanto os menos favorecidos e excluídos ficam a margem dos projetos socias e das políticas públicas, tornando-se invisibilizados. Isso se torna muito visível quando olhamos para as casas Legislativas e vemos os projetos que são votados, como são votados, na grande maioria não favorecem a população, pelo contrário, as vezes representam perda de direitos e flertam com a violação da dignidade humana.

Para ele se o povo como sociedade civil se cala, se omite, essas políticas de desfavorecimento aos mais vulneráveis se fortalecem cada vez mais. E ressaltou ainda o poder que as redes sociais tem na disseminação da defesa dessas políticas fazendo muitas vezes que os próprios desfavorecidos apoiem aqueles que os oprimem.

Padre Alcimar falou de como foi importante a dinâmica em que esse Grito dos Excluídos foi realizado este ano, pois diferente dos anos anteriores ele teve um dia inteiro de atividade na parte interna do INPA, aonde pela manhã as pastorais e movimentos apresentaram suas demandas, defenderam os seus objetivos, houve apresentações artísticas voltadas as questões sociais, ambientais e dos direitos humanos. A tarde a celebração da Santa Missa e em seguida uma caminhada até a bola do Coroado onde teve a fala dos representantes das pastorais e movimentos.

Conclui-se então, que, o 32º Grito dos Excluídos, sob o tema “Vida em Primeiro Lugar”, revela-se muito mais do que um ato de protesto: é uma defesa dos princípios bíblicos, evangélicos e cristãos que clama pela dignidade de todos, pelo cuidado integral com a Casa Comum e pela defesa intransigente da vida em sua plenitude, como nos lembra Jesus. Ao longo de 32 anos, esse movimento tem sido voz dos que são silenciados, unindo fé e ação na resistência contra toda forma de exclusão, violência e destruição, nos convoca como sociedade, Igreja e poder público, a assumirmos o compromisso de construir um mundo onde a vida, em todas as suas expressões, seja realmente colocada em primeiro lugar, conforme o projeto de Deus.

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