O Grito dos Excluídos, hoje chamado “Grito dos Excluídos e Excluídas”, é um movimento que começou em 1995, fruto da Segunda Semana Social Brasileira, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Embora tenha nascido de uma iniciativa católica, o Grito reúne hoje igrejas cristãs, centrais sindicais, partidos políticos, associações de classe e diversos movimentos sociais e populares. O tema histórico que acompanha a mobilização desde a sua criação é “A vida em primeiro lugar”.
Este ano o Grito teve como lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, com o objetivo maior de chamar atenção para tudo que as mulheres sofrem. Feminicídio, abusos em diversas formas, tratamentos desiguais no mercado de trabalho, sobrecarga de responsabilidade e outras formas de anulação e violência são temas que não devem ter tom partidário assim como falar da responsabilidade ambiental de cada um.
Por que lutar pelas causas sociais é questão política partidária? Deveria ser pauta para todos.
Por que não se tem políticas públicas de fato comprometidas com as mulheres, com as questões ambientais?
Hoje, dia da natividade de Nossa Senhora, dia de Nossa Senhora dos Remédios e de Nossa Senhora Del Valle, é claro o plano de Deus para as mulheres: ser semeadoras de vida, portadoras da paz.
Nossa Senhora se compadece das dores sociais. Ao termos certeza de Sua missão intercessora, entendemos que Ela zela pela vida. E vida não tem lado. A Vida tem Cristo. A vida é Cristo.
Cristo veio para nos salvar, não para escolher lados ou optar pelos “perfeitos”. Ele é o remédio trazido pela intercessão de Maria. Ele é caminho, verdade e luz.
O Grito dos Excluídos e das Excluídas é o Evangelho de Cristo: amar a Deus sobre todas as coisas e este amor se expressa na missa, na caridade aos excluídos e excluídas; amar ao próximo como a si mesmo. Só ama quem se ama primeiro. E só se ama quem entende o valor de ser missionário da vida, pela vida e com todos, sem exclusão.
Nossa Senhora nasceu para cumprir os planos de Deus. E nós? Cumprimos o papel de incluir? Temos o valor da justiça acima das opções afetivas? Ou só sou justo quando não prejudica alguém próximo a mim? Uso a balança ou tenho dois pesos e duas medidas?
Este ano o Grito foi em um ambiente de ciência e tecnologia, um instituto federal. A ideia de incluir diversas esferas de representação se fez presente e viva. Mostrar que onde tem estudo e pesquisa também tem espaço de falas diversas em busca da justiça.
A ciência é universal, necessária e envolvente.
Só há gritos porque não há uma audição eficiente.
É preciso ouvir para não excluir. É preciso envolver para não excluir.
Que sejamos vozes de quem não pode falar, mas que sejamos também ouvidos para entender quem são estas vozes e assim envolvê-las.
É preciso não excluir.

Marcela Amazonas é doutora em Ciências Florestais e Ambientais, doutora em Biotecnologia e engenheira de madeira. No INPA, atua como pesquisadora COTEI, coordenadora de Tecnologia Social e gerente da Incubadora. No âmbito eclesial, é missionária, agente pastoral da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, cooperadora paulina e membro da Comissão de Ecologia Integral da Arquidiocese de Manaus (Regional Norte 1 da CNBB).