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Rio Purus - AM. Foto de Sebastião Caldas - arquivo pessoal

Sínodo da Amazônia: sete anos de legado e suas perspectivas

Vamos relembrar alguns trechos do documento final deste momento tão rico para toda a humanidade?
O documento inicia com esta citação: “Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que faço novas todas as coisas’. Depois, ele me disse: ‘Escreve, pois estas palavras são dignas de fé e verdadeiras’”. (Ap 21,5).
O Sínodo foi a escuta de um chamado. Era preciso se ver e ouvir. Reconhecer a Amazônia como terra de vidas em pluralismo social e ambiental. Existem Amazônias.

Clareza da profunda consciência da dramática situação de destruição que afeta a Amazônia. Isso significa o desaparecimento do território e de seus habitantes, especialmente dos povos indígenas. A floresta amazônica é um “coração biológico” dessa terra cada vez mais ameaçada, que se encontra em uma corrida desenfreada para a morte. Isso requer mudanças radicais de suma urgência e um novo direcionamento que permita salvá-la.

O Papa ouviu povos e cientistas. Deu voz a dores silenciadas pelas distâncias e descasos. Mostrou o papel da Ciência nesta construção do cuidado com a obra de Deus.

Está cientificamente comprovado que o desaparecimento do bioma Amazônia trará um impacto catastrófico para o planeta! Na região Amazônica, o ciclo da água é o eixo de interligação. Interliga ecossistemas, culturas e o desenvolvimento do território. Na região Amazônica há uma realidade pluriétnica e multicultural. Os diferentes povos souberam adaptar-se ao território. Dentro de cada cultura, construíram e reconstruíram sua cosmovisão, seus símbolos e significados, e a visão de seu futuro. Nas culturas e povos indígenas, práticas antigas e explicações míticas coexistem com tecnologias e desafios modernos. Os rostos que habitam a Amazônia são muito variados. Contudo, a Amazônia hoje é uma beleza ferida e deformada, lugar de dor e violência.

Os ataques à natureza têm consequências para a vida dos povos. Essa crise socioambiental refletiu nas escutas pré-sinodais que sinalizaram para as seguintes ameaças contra a vida: apropriação e privatização de bens da natureza, como a própria água; concessões florestais e a entrada de madeireiras ilegais; caça e pesca predatórias; megaprojetos insustentáveis (hidrelétricas, concessões florestais, exploração massiva de madeira, monoculturas, estradas, hidrovias, ferrovias e projetos de mineração e petróleo); a contaminação causada pela indústria extrativista e lixões urbanos; e, sobretudo, mudança climática.

São ameaças reais associadas a graves conseqüências sociais: doenças derivadas da contaminação, narcotráfico, grupos armados ilegais, alcoolismo, violência contra a mulher, exploração sexual, tráfico humano, venda de órgãos, turismo sexual, perda da cultura originária e da identidade (língua, práticas espirituais e costumes), criminalização e assassinato de lideranças e defensores do território.

O Sínodo foi um dos que não são ouvidos? Banalizamos as dores?
O Sínodo mostrou a realidade e nos deixou com um chamado: o que faremos?
Ignorar não é opção.
Ignorar é submeter às consequências do descaso.
É preciso agir. Nosso agir aqui de fato impacta mundialmente.
Não cabe mais só ouvir.
É preciso agir.

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