Na Palavra de Deus, obediência e conivência são conceitos opostos e com pesos espirituais completamente diferentes. Enquanto a obediência a Deus é ordenada e abençoada, a conivência com o erro é condenada. A Bíblia aborda cada um desses temas:
1. Obediência: o Princípio da Fidelidade
Na Bíblia, a obediência não é apenas seguir regras, mas uma expressão de amor e confiança em Deus (João 14, 15). Obediência a Deus acima de tudo: a prioridade máxima do cristão é obedecer a Deus, mesmo que isso signifique contrariar autoridades humanas quando estas exigem algo que viola a lei divina. “Respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5, 29). A Bíblia orienta a submissão às autoridades (governo, líderes, pais) desde que as ordens delas não contrariem a vontade de Deus. “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus…” (Romanos 13, 1)
2. Conivência: a Cumplicidade com o Pecado
A conivência ocorre quando alguém testemunha o erro, o pecado ou a injustiça e decide silenciar, tolerar ou aprovar, tornando-se cúmplice daquela ação. A Palavra de Deus alerta severamente contra isso. Não participar das obras infrutíferas: o cristão é chamado para expor o erro, e não para se omitir. “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas, antes, porém, reprovai-as.” (Efésios 5, 11). O perigo do silêncio culpável: consentir com o erro alheio traz as mesmas consequências espirituais de praticá-lo. “Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.” (Romanos 1, 32). A omissão também é pecado: saber o que é certo e não fazer (ou não falar) é uma quebra da integridade. “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” (Tiago 4, 17).
Após esta consideração, o que responderás ao ser questionado sobre: qual o teu papel no zelo da Casa Comum? Sabes quem destrói ou tu ajudas na destruição ao negar trocar o descartável por produtos duráveis, como copos, recipientes térmicos e afins? Economiza água ou deixa jorrar a mangueira de água ligada para “limpar o quintal”?
E o que se vive na Amazônia atualmente com as queimadas criminosas? Acostumaste? Acha culpados e se coloca apenas como atuante na reclamação ou está presente como agente transformador?
Tantos são os espaços para se viver a obediência ao Evangelho que pede cuidado com tudo que é de Deus, mas o entendimento da maioria é: vou às missas nos domingos, faço o terço, rezo pelo meu anjo da guarda, logo sou um ótimo cristão.
Sim! Você faz uma ótima função? Mas o que mais você faz numa questão prática?
Vamos continuar aceitando respirar partículas de plástico, de metal e fuligem?
Vamos aceitar a destruição de biomas e arrasar cidades, vidas, famílias?
Vamos seguir com igarapés entupidos de rejeitos ao invés de combater desde a própria casa o desperdício?
Vamos fingir que não há ligação entre as ações individuais e o todo? São várias ações juntas, iguais e repetidas que tornaram o mundo como está.
Sejamos obedientes a Deus e isto exige que não sejamos coniventes com os homens.

Marcela Amazonas é doutora em Ciências Florestais e Ambientais, doutora em Biotecnologia e engenheira de madeira. No INPA, atua como pesquisadora COTEI, coordenadora de Tecnologia Social e gerente da Incubadora. No âmbito eclesial, é missionária, agente pastoral da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, cooperadora paulina e membro da Comissão de Ecologia Integral da Arquidiocese de Manaus (Regional Norte 1 da CNBB).