A correção fraterna entre irmãos é muito importante. Nesta quarta-feira, décima nona semana do Tempo Comum, memória de Santa Dulce Lopes Pontes (Santa Dulce dos Pobres); a Liturgia nos apresenta o relato de Mateus (18,15-20) nos falando da Correção fraterna. Nesta narrativa Jesus nos orienta de forma clara como lidar com os conflitos e frustrações na vida da comunidade de fé; Ele diz: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! (Mt 18-15) E continua falando que se não for suficiente, chamar uma ou duas pessoas, se mesmo assim ele não se converter chama a Igreja;
É evidente que no contexto em que o autor escreveu esse texto a sociedade do primeiro século, aproximadamente no ano 70 .dC., está iniciando um processo de formação da comunidade cristã enfrentando sérios conflitos, desafios internos e externos. Os discípulos de Jesus estão dentro de um processo de aprendizagem para construir e viver numa nova sociedade com centralidade nos valores do amor, do perdão e da inclusão. Essa ideia da correção fraterna, de abordagem da pessoa que ofende você traz à tona a necessidade de manter uma relação saudável, com responsabilidade individual e coletiva para o processo de reconciliação.
Trazendo a reflexão da correção fraterna e sua mensagem para a nossa realidade atual percebemos que ela é extremamente relevante. Nossa realidade é marcada em grande parte pela polarização (divisão social, política e religiosa) que afeta diretamente a nossa sociedade, seja no âmbito social, político, religioso e até mesmo no ambiente familiar. A grande facilidade de comunicação social neste mundo globalizado quando não usada de maneira respeitosa agrava essa situação em todos os âmbitos da sociedade. Diante de toda essa complexidade, a mensagem de Jesus nos convida a refletir nossas próprias atitudes e a importância do diálogo aberto, seja no ambiente social, político, religioso e familiar, nos encontros pessoais e nos meios de comunicação social.
Neste dia em que a Liturgia é enriquecida com a celebração da memória de Santa Dulce dos pobres nos alegramos com seu testemunho de fé inspirador nos impelindo a agir com amor e compaixão. Uma mulher que se dedicou no serviço dos mais necessitados e na promoção da dignidade humana, valores presentes na mensagem de Jesus expressa no Evangelho de hoje. Santa Dulce nos serve como um farol de esperança, ela nos ensina a prática do amor que deve se estender a todos, especialmente aqueles que são marginalizados, feridos em sua dignidade.
Por conseguinte, a realidade do nosso mundo necessita da correção fraterna, do amor e do espírito de compreensão, inspirado nas palavras de Jesus e no exemplo que Santa Dulce dos pobres nos deixou. Com essa inspiração devemos buscar atos de reconciliação em nossas vidas e na vida de nossas comunidades refletindo sempre a luz da Palavra de Deus. O chamado à união e a paz não deve ser apenas uma indagação espiritual, mas um modo de vida prático que nos capacita para a construção de um mundo mais justo e solidário, onde com coragem abraçamos hoje e sempre o chamado de Deus de sermos promotores da paz.

Sebastião Caldas estar seminarista diocesano, possui graduação em Filosofia Bacharelado pela FSDB Faculdade Salesiana Dom Bosco Manaus AM (2021). Atualmente cursando Teologia Bacharelado pela FCA Faculdade Católica do Amazonas. Possui curso de extensão universitária Controle Social em Políticas Públicas e Participação Social pela PUCRS Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2019.)