Durante o dia de movimento do 32º Grito dos excluídos que aconteceu no último dia 7 de setembro de 2026, nas dependências do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), tivemos a oportunidade de conhecer um pouco sobre a Casa Amazônica de Francisco e Clara, a Primeira Casa Amazônica para iniciativas socioecológicas inaugurada em Manaus.
Segundo informações da Arquidiocese de Manaus, sendo inaugurada no dia 30 de novembro de 2023, a primeira Casa Amazônica para iniciativas socioecológicas lançou também o livro “Realmar a Economia de Francisco e Clara”. Sendo essa atividade realizada na Igreja São Mateus, no bairro Zumbi dos Palmares Manaus – AM e contou com a presença do arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner, representantes de organismos eclesiais, religiosos e comunitários.
No evento do 32º Grito dos excluídos, Edilene Felício, uma das articuladoras da casa Amazônica de Francisco e Clara, que tem como coordenadora a Irmã Elis, irmã da Divina Providência, falou sobre como essa iniciativa começou e quais foram as respostas concretas. Segundo Edilene Felício, a inicia surge como resposta a um apelo do Papa Francisco que em 20219, reuniu os jovens do mundo inteiro para pensar uma nova economia, a economia de Francisco que olha com cuidado e carinho para o bem viver do ser humano no cuidado com a Casa Comum. No Brasil, esses jovens criaram a articulação brasileira para a economia de Francisco e Clara. Como resposta concreta dessa articulação originou-se as Casas de Francisco e Clara.
Em cada território essas casas respondem as necessidades do bem viver de cada região. Aqui na Amazônia a Casa de Francisco e Clara tem como objetivo responder as necessidades daqui, junto às mulheres e ao povo desse território. A casa tem três dimensões produtivas: o Sabão Ecológico, a Horta Comunitária, as PICS (Práticas Integrativas e Complementares de Saúde.

O sabão ecológico junto aos demais produtos de limpezas e de higiene são produzidos a partir dos resíduos do óleo de cozinha. Na horta comunitária é produzido e cultivado os temperos, cheiro verde e também mudas de forma totalmente orgânica e ecológica que depois serão comercializados nas feiras da região do bairro Zumbi. As Práticas Integrativas e Complementares de Saúde, é onde as pessoas são atendidas e tratadas com terapia alternativas utilizando as ervas e os chás que são cultivados pela própria iniciativa.
Como apresentado no folder, A Casa Amazônica de Francisco e Clara têm como missão fomentar um espaço de diálogo, reflexão e boas práticas de economia do Bem Viver a partir das necessidades do território amazônico. Tornando fecundo o chamado do Papa Francisco para darmos alma à economia. “Uma Economia que faz viver e não mata, que inclui e não exclui. Uma economia que promove e cuida da vida.”
Como objetivo geral, a Casa Amazônica de Francisco e Clara busca territorializar a proposta da economia de Francisco e Clara por meio de uma educação e espiritualidade ecológica a serviço dos povos amazônicos.
É também um espaço de sonho coletivo. Buscando se conectar com a ecologia integral e o bem viver dos povos amazônicos às ações econômicas populares, comunitária, participativas e de cuidado com a nossa casa comum. Fazendo parte da Articulação Brasileira Pela Economia de Francisco e Clara (ABEFC).
Este projeto se desenvolve dentro das ações socioambientais da Congregação das Irmãs da Divina Providência, que assume sua gestão.
Sua sustentabilidade é construída de forma colaborativa, a partir da mobilização comunitária, de parcerias solidárias, redes e organizações afins.
O projeto atua em articulação com a Arquidiocese de Manaus e outras Congregações Religiosas, fortalecendo iniciativas que promovem justiça socioambiental, economia solidária e o bem viver nos territórios amazônicos.
A Casa Amazônica de Francisco e Clara é uma resposta viva e concreta ao chamado do Papa Francisco, materializando os princípios de uma economia solidária, ecológica e centrada no bem viver, que responde às necessidades do território amazônico com cuidado, justiça e fraternidade. Ao unir produção orgânica, sustentabilidade, saúde integral e espiritualidade, essa iniciativa fortalece os laços comunitários, valoriza o saber local e reafirma que é possível construir relações econômicas que cuidam das pessoas e da Casa Comum, servindo como um inspirador exemplo de como a fé e a ação socioambiental podem caminhar juntas em favor de um mundo mais justo e acolhedor para todos os povos da Amazônia.

Sebastião Caldas estar seminarista diocesano, possui graduação em Filosofia Bacharelado pela FSDB Faculdade Salesiana Dom Bosco Manaus AM (2021). Atualmente cursando Teologia Bacharelado pela FCA Faculdade Católica do Amazonas. Possui curso de extensão universitária Controle Social em Políticas Públicas e Participação Social pela PUCRS Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2019.)