Este artigo compartilha o tema que foi refletido no retiro de espiritualidade dos seminaristas da etapa da Configuração do Regional Note I, que aconteceu na Casa de Retiros Maria de Loreto, comunidade Semente do Verbo, nos dias de 03 a 06 de setembro de 2026, cujo tema foi: “Tende em vós os mesmos sentimentos presentes em Cristo Jesus” (Fl 2,5). Esse momento foi conduzido pelo padre Robert, que a Luz do Espírito Santo e ancorado ao tema conduziu a reflexão sobre a configuração a Cristo. Padre Robert usou documentos da Igreja como: Presbyterorum Ordinis, Optatam Totius e Ratio Fundamentalís entre outros como a Querida Amazônia. Seu objetivo era evidenciar como se dá a configuração a Jesus Cristo.
Sob a condução do Padre Robert, a meditação abordou os traços cristológicos essenciais para a configuração a Jesus Cristo no ministério ordenado — o qual se fundamenta na união com Cristo e na imitação total de Sua vida —, destacando-se a configuração e a filiação. Para essa imitação, podem-se considerar os seguintes traços:
a) Em termos de morada: “estar com Cristo,” que constitui a essência da vocação e missão cristã, revelando-se, na intimidade com o Pai no Filho pelo Espírito Santo;
b) Em termos de intimidade: “estar em Cristo;” consiste em está intrinsicamente ligado aos sentimentos de Cristo, como se sentiu São Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20);
c) Em termos de imitação: “ser como Jesus,” significa ter as mesmas práticas de Jesus. Amar como Jesus amou, por isso perdoa, sentir compaixão como Jesus, por isso pratica as obras de misericórdia, é obediente ao Pai como Jesus, por isso faz a vontade de Deus e não a própria.
Padre Robert mencionando os documentos acima citados e as Sagradas Escrituras ressaltava que Jesus é o único e eterno Sacerdote, é Ele que se ofereceu a si mesmo como o sacrifício perfeito e definitivo. Portanto todos aqueles que recebem a vocação, chamado amoroso e misericordioso de Deus são impelidos a se configurar a Jesus Cristo, único e eterno Sacerdote.
Vale ressaltar que a vocação que recebemos não é uma iniciativa pessoal, um desejo próprio de realização ou de administração pastoral e etc., mas um chamado que nasce do coração de Deus. Como assevera a Carta as Hebreus: “Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão aquele que foi chamado por Deus” (Hb 5,4).
É Deus quem chama ao ministério ordenado e a Igreja é quem o ajuda no seu discernimento e lhe confere o Sacramento da Ordem. E por esse sacramento da Ordem o presbítero é configurado a Cristo Sacerdote. E por isso participa da missão de Jesus Cristo Mestre e Pastor. O Presbítero (Sacerdote) tem a missão de edificar o povo de Deus como Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. Sua Missão se realiza na Palavra, na Eucaristia, na Reconciliação e no pastoreio.
Esse presbítero não está sozinho, mas estar em comunhão com o Bispo e o presbitério a que pertence. A sua espiritualidade deve está intimamente em comunhão com o Pai, por Cristo, no Espírito Santo. A sua autoridade está no serviço, sua grandeza é a entrega e sua fecundidade nasce da configuração ao Cristo crucificado e ressuscitado.
Padre Robert pontuou que em síntese, o sacerdote é um homem sacramentalmente configurado a Cristo para tornar presente sua Palavra, seu sacrifício e seu pastoreio no meio da Igreja. Ele recebe de Cristo para oferecer a Cristo: recebe a graça da ordenação, oferece a própria vida, e conduz o povo de Deus à plena comunhão com o Pai, no Espírito Santo.
O sacerdócio ministerial, segundo Pastores Dabo Vobis e a Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis:
Nasce do amor trinitário do Pai, do Filho e do Espírito Santo;
Participa do único sacerdócio de Cristo;
Configura sacramentalmente o presbítero a Cristo Cabeça, Pastor e Servo;
Realiza-se no anúncio da Palavra, na celebração dos sacramentos e no serviço pastoral;
Promove, e não substitui, o sacerdócio comum dos fiéis;
Exige uma vida marcada pela caridade pastoral e pela entrega de si.;
É um dom e um chamado de Deus;
Um ministério exercido na Igreja e para a Igreja;
Um serviço à Palavra, aos sacramentos e à unidade do povo de Deus;
Um caminho permanente de formação, conversão e caridade pastoral.
Assim, o sacerdote é chamado a tornar visível a presença de Cristo, o Bom Pastor.
Carta Apostólica do Papa Leão XIV (2025), “Uma fidelidade que gera futuro” convida a Igreja a redescobrir o sacerdócio ministerial como graça, conversão e serviço. A fidelidade sacerdotal é perseverança renovada no amor de Cristo, fonte de alegria, comunhão, maturidade e fecundidade missionária. A vocação sacerdotal é dom gratuito de Deus e resposta amorosa do homem.
Padre Robert ao se referir a Querida Amazônia, ressaltava que ela apresenta quatro sonhos — social, cultural, ecológico e eclesial — que iluminam um ministério sacerdotal configurado a Cristo encarnado, próximo, misericordioso, servidor, contemplativo e missionário. A evangelização deve assumir o rosto dos povos e inserir-se em sua realidade. O sacerdote, unido a Cristo Cabeça e Pastor, é chamado a caminhar com o povo, escutar suas necessidades e levar o Evangelho às periferias.
Na querida Amazônia pode-se encontrar uma espiritualidade de proximidade e disponibilidade: a missão requer presença, simplicidade, perseverança, fraternidade sacerdotal e colaboração com leigos e consagrados. Uma espiritualidade amazônica de santidade:A santidade sacerdotal encarna-se na oração, nos sacramentos, na proximidade dos pobres, na comunhão, na simplicidade e na alegria missionária.
Para finalizar, o retiro, centrado no tema de ter em si os mesmos sentimentos presentes em Cristo Jesus (Fl 2,5), evidencia que a configuração a Ele é o centro da vocação e da vida ministerial: não se trata de uma escolha humana, mas de um chamado gratuito de Deus que, pelo Sacramento da Ordem, configura o presbítero ao único e eterno Sacerdócio de Cristo, tornando-o sinal vivo de sua presença, Palavra e pastoreio. Fundamentada na comunhão trinitária, na imitação de Cristo e na fidelidade missionária que se faz próxima e encarnada — especialmente inspirada pelos sonhos e pela espiritualidade da Querida Amazônia —, essa configuração se expressa em uma vida de serviço, caridade pastoral, entrega de si e constante conversão, para que o sacerdote, unido ao Bom Pastor, conduza todo o Povo de Deus à plena comunhão com o Pai e ao anúncio alegre do Evangelho até as periferias do mundo.

Sebastião Caldas estar seminarista diocesano, possui graduação em Filosofia Bacharelado pela FSDB Faculdade Salesiana Dom Bosco Manaus AM (2021). Atualmente cursando Teologia Bacharelado pela FCA Faculdade Católica do Amazonas. Possui curso de extensão universitária Controle Social em Políticas Públicas e Participação Social pela PUCRS Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2019.)