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QUE VOS PARECE?

Um estudioso cristâo chamado Karl Ranner afirmou algum tempo antes do ano 2000 “no século XXI os cristãos, ou serão místicos ou não serão cristãos”. Guardemos essa afirmação porque ela aponta para uma exigência natural da fé, respondida por São Francisco, o qual estamos celebrando em todas as nossas paróquias. Ao mesmo tempo essa afirmação quebra uma visão limitada da experiência da fé. Aquela na qual basta nascer no ambiente de tradição cristã que ja vem com a genética espiritual cristã.

Essa afirmação está em sintonia com a Palavra que destacamos hoje em nossa partilha “que vos parece?”. A qual acrescentamos: será mesmo que basta ter nascido em família cristã para a pessoa ser verdadeiramente cristã? Basta invocar o nome de Deus, fazer promessas aos santos, devolver o dízimo e comungar, para confirmar a identidade cristã?

Da Palavra de Deus proclamada hoje e da vida de São Francisco, na qual nos inspiramos, intuimos que é bem mais que isso.

. Aceitar a vontade de Deus, converter-se a ela, nos diz a primeira Leitura. Muitos cristãos, se sentem tão cristãos que até discordam do modo como Deus age. “A conduta do Senhor não é correta”, diz na primeira Leitura sobre esses irmãos. Há quem pense ou diga “por que Deus fez isso ou deixou que isso acontecesse? Por que tanta gente boa parte cedo e quem deveria partir permanece?”

A segunda leitura nos diz algo muito profundo para quem assumir as feições de Jesus “tende em vós os mesmos sentimentos de Jesus…ele se fez obediente e humilhou-se até a morte de Cruz”.

O Evangelho confirma o que estamos dizendo. É muito valioso estar vinculado à Igreja oficialmente. Todavia o que mais nos configura e confirma nossa pertença a Cristo é fazer a opção por Ele e praticar o que Ele nos pede. Viver no dia-a-dia o que celebramos e pregamos.

Aqui temos três compromissos:
. Assumir a humildade e obediência de Jesus (e de São Francisco) que anulam o EGO e deixaram-se encher de Deus.
. Praticar a justiça misericordiosa e a misericórdia justa, no respeito e promoção do bem e do direito a todas as formas de vida.
. Ser fraterno e viver em fraternidade com as pessoas e com a criação inteira.
. Buscar, desejar e ver Deus presente na vida, nas realidades e situações enfrentadas.

Que a Palavra de Deus que conduziu São Francisco, também nos conduza com a força da mística que o conduziu.

Homilia do XXVI Domingo do Tempo Comum

Beruri, 27 de setembro de 2026

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