Estamos diante de um momento crítico com relação a qualidade do nosso ar, principalmente no Amazonas. A capital “acorda e vai dormir” sempre coberta por fumaça, isso tem elevado o agravamento de doenças na população, a suspensão de aulas em escolas, universidades e faculdades para não colocar a saúde das pessoas em risco.
Como reflexo disso, deveríamos nos perguntar: o que eu estou fazendo para colaborar na prevenção dos desequilíbrios climáticos e ambientais? Eu colaboro para prevenir queimadas, para o cuidado com a criação? Eu sou indiferente com essas realidades? Ou eu penso que isso é apenas invenção de poucos e que em nada afeta a natureza e o ser humano?
Em virtude dessa realidade, muito são os questionamentos que surgem e que sempre apontam para um culpado, aponta-se para o governo federal, aponta-se para o estadual e municipal, aponta-se para o vizinho que tocou fogo no lixo, aponta-se para o ribeirinho que queimou o seu roçado, aponta-se para as políticas destrutivas que visam o lucro sem medir as consequências e vai faltando dedos para apontar. No entanto, não se vê nenhum dedo apontado para si, parece que ninguém se sente responsável por isso, ninguém se sente parte no cuidado e na defesa da Casa Comum.
Por outro lado, deveríamos nos sentir responsáveis por essa realidade, digo isso porque vejo que todos temos nossa parcela de culpa. O governo federal tem sua parcela, o legislativo, o estadual e o municipal também. E voltando para nossa responsabilidade poderíamos nos perguntar: o que eu faço com aquela garrafa de refrigerante que bebi, com aquela casca de bombom, com os resíduos da minha casa? Eu tenho costume de separar os resíduos? Eu jogo lixo em qualquer lugar? E mesmo que faça a minha parte, mesmo que façamos a nossa parte, ainda assim pode ser insuficiente. Precisamos observar a corresponsabilidade coletiva e principalmente dos que legislam as leis, dos que as executam, pois eles precisam fazer a sua parte.
Consequentemente, de nada adianta eu separar resíduos e ser zeloso e zelosa no cuidado com a criação, se eu apoio políticas predatórias, se eu voto em candidatos que defendem a degradação do meio ambiente, se eu ficar omisso diante de projetos destrutivos por medo, omissão ou conivência. É preciso abrir-se para uma consciência de que tudo está interligado como nos diz o legado do Papa Francisco. Todos somos frutos de uma mesma matéria, por isso precisamos ser pessoas conscientes de que as nossas atitudes têm interferência direta não só na nossa vida, mas na vida de todos.

Sebastião Caldas estar seminarista diocesano, possui graduação em Filosofia Bacharelado pela FSDB Faculdade Salesiana Dom Bosco Manaus AM (2021). Atualmente cursando Teologia Bacharelado pela FCA Faculdade Católica do Amazonas. Possui curso de extensão universitária Controle Social em Políticas Públicas e Participação Social pela PUCRS Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2019.)