Em Marcos 8,22-26;10,46-52: quais cegueiras que nos impedem de seguirmos a Jesus Cristo? É importante observar que nos versículos anteriores (Mc 8,12-21), Jesus alerta seus discípulos para que tomem cuidado com o fermento dos fariseus. É como se os discípulos estivessem cegos, assim como os fariseus que pediam um sinal para acreditar que Ele é o Filho de Deus (Mc 8,11). Essa espécie de cegueira gerou entre os discípulos a preocupação sobre a falta de pão, mesmo presenciando a multiplicação dos pães (um grande sinal), eles ainda não entendiam, não compreendiam a verdadeira identidade de Jesus, por isso Jesus os repreende.
Pode-se encontrar relações destes versículos antecessores com os que narraJesus m o evento da cura do cego, pois esse no primeiro momento não enxerga nitidamente, é preciso que Jesus toque os seus olhos novamente, assim é também a compreensão dos discípulos sobre Jesus, os sinais que Ele realiza não são o suficiente para que eles compreendam.
Jesus, logo após a tentativa dos fariseus de pô-lo à prova, pedindo um sinal (Mc 8,11) embarcou e foi para a outra margem (Mc 8,13), é nesse percurso que houve a preocupação de seus discípulos sobre a falta de pão. Ao desembarcarem em Betsaida, levaram a ele um cego que pedia que o tocasse para que assim o recebesse a cura. Em dois momentos Jesus restabelece a visão daquele homem que passou a ver nitidamente de perto e de longe (Mc 8,25). O autor sagrado não apresenta nome para esse homem, é como se ele representasse a cegueira de cada um que não enxerga Jesus pela sua falta de fé. O autor ressalta que depois desse evento Jesus parte dali para o povoado de Cesareia de Felipe.
Na passagem seguinte que narra a cura do cego Bastimeu (Mc 10,46-52), o Evangelista diz que Jesus chegou em Jericó (Mc 10,46), e ao sair de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, estava na beira do caminho mendigando o cego Bastimeu, ao ouvir que era Jesus de Nazaré que estava passando (Mc 10,47), Bastimeu começou a gritar, ele sabia quem era Jesus, mesmo que não na totalidade. Mesmo não compreendendo sua identidade o reconhecia como Filho de Davi, sabia que Jesus tinha o poder de cura-lo por isso clama por misericórdia, e gritava: “tem compaixão de mim” (Mc 10,48).
Diante da insistência daquele homem que mesmo quando reprendido não se calou, mas suplicou ainda mais por sua misericórdia, Jesus o chama, ele recebe incentivo dos que dizem: “Coragem! Ele te chama. Levanta-te” (Mc 10,50). Ele joga o manto, é tudo o que ele tem, e vai até Jesus (Mc 10,50). Diante da pergunta de Jesus sobre o que ele queria, vem a sua resposta: “Mestre que eu veja novamente” (Mc 10,51). A resposta de Jesus é um novo começo para ele, “Vai, tua fé te salvau” (Mc 10,52). Recuperando a vista aquele homem começa a seguir Jesus pelo caminho.
É importante nos perguntarmos que mensagem podemos tirar dessas passagens bíblicas para os dias atuais, e quais cegueiras é possível identificarmos nos afastando do seguimento a Jesus. O tempo passou e a humanidade herdou muitas fragilidades no que diz respeito à crença e à fé em Deus e no seu Filho Jesus Cristo.
A mensagem que fica para nós nos dias hodiernos é da herança da incompreensão. Ainda hoje percebemos essa dificuldade de compreender, de entender o projeto de Jesus em nossas vidas. As cegueiras que podemos identificar é a da falta de fé, a de querermos fazer as nossas próprias vontades e desejos, deixando de lado o amor e a graça de Deus, a graça e o amor daquele que nos amou primeiro, que por Ele tudo foi feito e sem ele nada teria sido feito (Jo 1,1-5).
Quando olhamos para o relato que mostra os discípulos preocupados pela falta de pão, mesmo quando na mesma barca vai aqu’Ele que é o verdadeiro Pão do céu, e que também multiplicou os pães e os peixes para multidões, é possível nos ver e vê muitos de nossos irmãos e irmãs. Somos frágeis, muitas vezes ficamos amedrontados e cegos, e não percebemos a presença amorosa de Jesus que está ao nosso lado.
Às vezes queremos sinais que nos prove que Jesus está presente ou até mesmo que tenha poder para nos ajudar a superar alguma dificuldade que a vida nos apresenta, flertando assim com a grande e quase irreversível falta de fé. É preciso abrir nossos olhos para perceber a presença do amor e da misericórdia de Deus.
Quando colocamos as nossas próprias vontades e desejos acima das vontades e desejos de Deus para a nossa vida, acabamos nos afastando do seguimento a Jesus Cristo. É preciso que nos abramos ao Espírito que nos ilumina e nos faz compreender a graça do chamado de Jesus, é Ele que nos faz entender e nos dar força para seguir o Mestre, é preciso fazer como Bastimeu que joga seu manto, a única coisa que ele tinha, e segue o Mestre. Assim nós, precisamos nos despojarmos de tudo aquilo que nos afasta do seguimento a Jesus Cristo e segui-lo no caminho, sendo verdadeiros e eternos seguidores de Jesus Cristo.

Sebastião Caldas estar seminarista diocesano, possui graduação em Filosofia Bacharelado pela FSDB Faculdade Salesiana Dom Bosco Manaus AM (2021). Atualmente cursando Teologia Bacharelado pela FCA Faculdade Católica do Amazonas. Possui curso de extensão universitária Controle Social em Políticas Públicas e Participação Social pela PUCRS Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2019.)