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EPISÓDIOS E DADOS ESPECIAIS

 

essa foto retrata um texto que tem como título, episódios e dados especiais, esse texto apresenta a história de uma jovem com características especiais, e tem o intuito de mostrar os desafios pastorais e propor meios de superação
Imagem gerada no  Copilot

Aos 17 anos Ana é artista. Sua sensibilidade poética é encantadora e
dúbia. Percebe sutilezas que poucos veem e quando parece nada haver, ela
consegue ver sentido e dar sentido mesmo na aparência do caos.

Um fato dentre muitos, ilustram a verdade dessa afirmação. Uma garotinha
entra no restaurante com olhar vivaz; bem trajada e sorridente se aproxima de
uma mesa e pede a bênção à sua tia, idosa que acabara de chegar. A Sra. acolhe
a garota nos seus doze anos aparentemente. Ana, observa ao longe e comenta “essa
senhora tem um coração bondoso”. A pessoa ao seu lado, não entendeu a
afirmação. Ana disse “a garotinha é muito inteligente, educada, comunicativa e
criativa, e não é sobrinha da senhora que a acolheu”.

A conversa se iniciou e foi longa. De fato, Ana tinha razão. Ela
explicou aos amigos os princípios e leis da vida compreendidas no fantástico
curso da universidade da existência iniciado há 17 anos e sistematizada nos
cadernos de anotações nos últimos três anos do Ensino Médio:

  1. Todos somos sobreviventes
  2. Os traumas do momento preparam para os
    desafios do amanhã, assim como os de ontem servem de inspirações para
    hoje.
  3. Quanto maior o perigo, mais a natureza se
    defende, às vezes até atacando.
  4. Na sobrevivência o que mais vale não é
    trapacear, enganar, roubar, mas se proteger, garantir sua continuidade,
    ora sendo santo, ora sendo ameaça.
  5. Todos nós temos experiências divergentes
    diante das quais podemos perguntar:

O
resultado foi vitorioso APESAR dos desafios?

Foi
vitorioso através dos desafios?

+Foi ganho
por meio dos obstáculos?
 

Alguns olharam a garota com desconfiança e julgamento, Ana a fitou com amor. Um filme passou em sua mente de repente. Ela a quem seu primeiro choro foi ouvido numa pequena caixa de sapato onde a ‘produtora’ lhe deixara a fim de que fosse encontrada e salva da fome, da miséria e da morte. Um casal de bom coração a recolheu e a ensinou a viver.

Esse é um retrato de nossa humanidade. Todos nós, ao longo da vida,
vivemos experiências de sobrevida, nas quais a morte chega bem perto, mas uma
força maior nos leva avante e fortalece pra outras lutas maiores. Há pelo menos
dois modos de entender a sobrevivência: experiências ocasionais às quais a
pessoa supera, como em crimes (assalto, tentativa de estupro ou mesmo de
assassinato) e em acidentes (de trânsito, quedas e etc.) ou doenças graves
(como na pandemia). Outro modo ainda mais complexo é o estado de sobrevivência
no qual encontram-se muitas pessoas.

O estado de sobrevivência permanente ou prolongado leva a pessoa a agir
quase sempre na defensiva; ao menor sinal de perigo, reage para sinalizar sua
coragem, ou para esconder seu medo, e sobretudo para se por em luta contra o
risco que lhe ameaça. Ao olhar comum trata-se de brutalidade ou maldade,
todavia, essa postura é expressão da fortaleza humana escondida, velada, em
atos com aparência de fraqueza.

Se levarmos em conta que todos nós somos sobreviventes, vamos entender
que os dois princípios atribuídos a Freud têm muito sentido em nossos dias: o
eros (princípio
de vida) e
tânatos (princípio da morte). O primeiro relaciona-se à geração
e continuidade da vida, o segundo é referente à defesa da vida, por isso há o
risco de morte ao proteger/defender a vida.

Chamamos a atenção
para a questão dos espaços e experiências pastorais. Por quem esses espaços são
formados? As experiências vividas favorecem o cuidado com a vida ou promovem
situações e motivos para a reação, a defesa instantânea dos riscos à
individualidade da pessoa?


DESAFIO PASTORAL: humanizar para divinizar; saborear a salvação
(divindade)

Em todos os ambientes onde há convivência de grupos de pessoas, há uma
mescla de possibilidades quanto às boas e más sensações vividas. A convivência
no âmbito da igreja também não é diferente. Temos nossas diretrizes, sendo a
mais fundamental, os Evangelhos; temos também o Catecismo e o Código de Direito
Canônica. Todos oferecem conteúdos favoráveis à formação da fraternidade entre
as pessoas. Todos propõem caminhos de construção da pessoa e de sua felicidade
integral.

Mas as fragilidades de cada pessoa contribui, afeta e é afetada pelas
experiências vividas umas com as outras. Enriquecem e/ou empobrecem-se
mutuamente. Considerando que cada pessoa tem sua história, seus sofrimentos e
medos, nos cabe refletir algumas questões:

. Na sua visão nós formamos ambiente pastoral saudável, acolhedor,
gerador de saúde e qualidade de vida boa para quem atua?

. Quantas vezes você já sentiu maltratos contra sua pessoa (rejeição,
exclusão…).

. Quantas vezes você já maltratou alguém?

Temos visto que o estilo de nosso trabalho tem se tornado muito intenso,
cansativo, estressante. Isso ocasiona fofocas, cansaços, desânimo, e até o
fenômeno fa desistência: desistência e afastamento dos compromissos pastorais,
afastamento da igreja, negação da fé, rejeição a Deus, depressão, e, em casos
mais graves, quadro depressivos com tentativas de suicídio. 

O desafio pastoral é superar a DESUMANIZAÇÃO e construir espaços e
relacionamentos saudáveis entre todos nós, agentes de evangelização.

Eis algumas dicas muito valiosas:

  1. Amar-se, sentir-se bem consigo mesmo;
    alegre e com gratidão pela história de sua vida.
    “Amar
    o
    próximo como a si mesmo” (Mc 12,33).
  2. Descobrir o valor de ser útil, de marcar a
    vida das pessoas com a leveza de seu serviço e de
    ser serviço. “Quem quiser ser o maior, seja aquele que vos
    serve” (Mt 20,26)
  3. Seja grande ou pequenino o seu ato, faça
    com todas as forças amorosas que puder, sempre harmonizando o momento
    atual (aqui e agora) de sua ação e o horizonte maior para onde caminhamos.
    “Buscai em tudo, o Reino de Deus” (Mt 6,33).
  4. Sempre pergunte se fosse Jesus, o que Ele
    faria?
  5. Adquirir extrair ao menos uma lição
    positiva de cada experiência e louve a Deus.
  6. Lembre-se, você sempre vai encontrar o que
    busca. Se você procura os erros, as falhas, os pecados, o mal dos/nos
    outros e nas coisas da vida, você vai encontrá-las e elas se tornarão
    parte de você porque é isso que você procura. Então procure, deseje,
    busque o melhor: o bem, a verdade, o maravilhoso, o fantástico, o
    fenomenal, o eterno, o divino de/em cada pessoa, cada ser, cada situação e
    experiência da vida.
  7. Tudo o que é realmente bom/eterno/ divino
    é infinito; não ouse domar e tomar para si. Compartilhe, transmita, ensine
    e isso fará tudo maior até transbordar de você como algo natural. Afinal é
    dom de Deus; não combina com egoísmo e maldade.Seja! Viva! Transborde…amor, paz,
    felicidade. A viagem pela vida terá mais leveza e será melhor de ser
    percorrida.
  8. Seja! Viva! Transborde…amor, paz,
    felicidade. A viagem pela vida terá mais leveza e será melhor de ser
    percorrida.


      Autoria do texto: Pe. Raimundo Gordiano

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