A Encíclica “Magnifica Humanitas” recorda que a humanidade se encontra diante de uma escolha decisiva: construir uma sociedade marcada pelo orgulho, pelo poder e pela exclusão — uma nova “torre de Babel” — ou reconstruir, com Deus, uma cidade fundada na comunhão, na justiça e na fraternidade. A tecnologia, a inteligência artificial e os avanços científicos podem contribuir para o bem, para a educação, para a saúde, para a comunicação e para o cuidado da Casa Comum. Contudo, quando são orientados somente pelo lucro, pelo domínio e pela eficiência, podem aumentar as desigualdades e colocar a pessoa humana em segundo plano.
A Encíclica nos ensina que o verdadeiro progresso não consiste em substituir o ser humano, eliminar suas fragilidades ou transformar todas as coisas em dados e resultados. O verdadeiro progresso acontece quando a dignidade de cada pessoa é protegida, especialmente a dos pobres, dos doentes, dos migrantes, dos idosos, das crianças e de todos os que vivem em situação de vulnerabilidade. A Igreja não pode ser uma torre fechada, reservada a poucos. Ela é chamada a ser casa de Deus, espaço de acolhida, escuta, cura e esperança. Em cada pessoa que chega, especialmente nos que sofrem e nos que se sentem excluídos, devemos reconhecer um irmão e uma irmã.
Onde percebemos sinais de “Babel” em nossa comunidade ou sociedade?
Que “muralhas” precisam ser reconstruídas entre nós?
Como podemos usar a tecnologia para aproximar, educar e servir, sem permitir que ela nos afaste das pessoas?
Nossa comunidade é percebida como uma casa aberta e acolhedora para todos, uma Nova Jerusalém?
Jesus entra na casa de Simão e ali manifesta a força do amor que cura. A casa torna-se lugar de encontro, cuidado e serviço. Depois, ao amanhecer, Jesus se retira para rezar e, fortalecido pelo Pai, parte para anunciar a Boa Nova também a outras cidades. Esse Evangelho ilumina o tema da fraternidade e da moradia: uma casa verdadeiramente cristã não é apenas um espaço físico, mas um lugar onde a vida é acolhida, as feridas são cuidadas e todos podem recomeçar. A Igreja é chamada a imitar Jesus: entrar nas casas, aproximar-se dos que sofrem, tocar as feridas da humanidade e sair ao encontro daqueles que ainda não se sentem acolhidos. Uma Igreja aberta não abandona sua identidade; pelo contrário, manifesta o rosto misericordioso de Cristo.
“Senhor Deus, Pai de toda a humanidade, Vós nos criastes a Vossa imagem e semelhança e colocastes em cada pessoa uma dignidade que ninguém pode tirar. Agradecemos porque, em Jesus Cristo, vosso Filho amado, Vós viestes morar entre nós e fizestes da humanidade uma morada do vosso amor. Ensinai-nos a olhar cada pessoa com respeito, sem preconceito, sem exclusão e sem indiferença. Que saibamos acolher o pobre, o doente, o migrante, o idoso, a criança, a pessoa que sofre e todos os que procuram um lugar seguro para viver e recomeçar. Fazei da vossa Igreja uma casa de portas abertas, onde todos encontrem acolhida, escuta, cuidado e esperança; uma Igreja que não levante muros de rejeição, mas construa pontes de encontro; uma Igreja que não se feche em si mesma, mas saia ao encontro das periferias da vida.
Senhor, ajudai-nos a reconstruir as muralhas da fraternidade. Dai-nos mãos para servir, olhos para enxergar os que sofrem, ouvidos para escutar suas histórias e coração para agir com misericórdia. Que nossas famílias sejam casas de paz, nossas comunidades sejam espaços de comunhão e nossa sociedade seja construída sobre a justiça, a solidariedade e o bem comum. Livrai-nos da tentação de construir novas Babéis, movidas pelo orgulho, pelo lucro e pelo poder. Fazei-nos colaboradores da vossa obra, para que ninguém seja tratado como objeto, descartado ou esquecido. Por intercessão de Nossa Senhora dos Remédios, concedei-nos perseverança na graça e coragem para anunciar, com palavras e atitudes, que toda pessoa é amada por vós e tem lugar na grande família humana e na Igreja. Que possamos sair desta novena mais unidos, mais atentos e mais dispostos a servir, construindo uma comunidade onde a justiça e a paz se encontrem, e onde todos possam dizer:
“Aqui há lugar para mim; aqui sou acolhido; aqui Deus habita.”

Pegadas do Reino aprofunda a vida cristã através de reflexões que conectam teologia, filosofia, ecologia e o nosso dia a dia. Entregamos conteúdos pautados pelo rigor, respeito e responsabilidade, buscando enriquecer sua experiência de leitura.

