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Ter alma de fato

Imagem: Pinterest



Autora:      Marcela Amazonas


Desânimo vem do Latim “sem alma”, tal como vela apagada, sem chama. É o contrário de ter alma, ter ânimo.

Uma pessoa sem fôlego pouco faz, pouco deseja. A inércia toma conta.

E o que leva a alma a apagar-se?

O cansaço e suas diversas formas de impacto. Seja físico, mental, emocional, espiritual. O cansaço emocional chega de pouco em pouco. Defender o certo cansa. Defender o coletivo, às vezes, dos próprios que se dizem defensores dele causa ogeriza.

No livro de Mateus, capítulo 23, Jesus deixa muito claro: “Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estão cheios de roubo e cobiça”.

Os hipócritas cansam. Mas será que percebem que o são?

Santa Mônica não cansou de rezar, não desanimou. Ou se desanimou, renovou as forças no que fazia constantemente. Rezar, clamar e louvar a Deus.

É uma das mais repetidas orientações de Cristo: “Não tenha medo”. Jesus ensina a amar e a não ter medo. O amor tudo suporta, desde que seja amor e que isto sirva para nossa conversão. Jesus ensina a não ter medo, mesmo quando a alma está apagada.

Santa Mônica aprendeu. Em tudo, ela rezava. Ela fez oração com os lábios e com as mãos. Jamais foi omissa ou conivente. Ela rezava.

O mundo precisa de Santas Mônicas.

O mundo precisa parar de falar em sustentabilidade só para fora e viver de dentro.

Não basta defender a Casa Comum publicamente se, por dentro, nossas relações reproduzem desgaste, vaidade, disputa e incoerência.

Sustentabilidade também é não apagar a chama do outro. A Ecologia Integral da Laudato Sì não trata apenas de árvores, rios, resíduos ou clima. Ela transmite as relações humanas, a cultura, a espiritualidade, a justiça e o cuidado. Uma comunidade pode falar lindamente de sustentabilidade e, ao mesmo tempo, ser humanamente insustentável.

Não existe Casa Comum sustentável quando aqueles que deveriam cuidar dela adoecem uns aos outros. Não há conversão ecológica verdadeira sem conversão das relações.

E Santa Mônica oferece uma resposta extraordinária: ela não combate o mundo tornando-se igual ao que a feria. Transformou persistência em oração, sofrimento em intercessão e esperança em ação. Rezar não significou omissão. Sua oração foi permanência.

“O mundo precisa de Santas Mônicas: gente que, mesmo cansada, não deixa a chama apagar. Porque cuidar da Casa Comum começa por dentro.”

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