Ancorando-se no documento “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador: 1700º aniversário do Concílio Ecumênico de Niceia 325-2025,” é possível perceber o complexo mistério Trinitário que foge a qualquer compreensão humana, por isso muitas vezes incompreendido e atacado por cismas. Mas a Igreja, sabiamente e inspirada pelo Espírito Santo, guardou-o e preservou-o com zelo, fé e sabedoria, defendendo-o de correntes cismáticas e esclarecendo, por meio de imagens e símbolos, até onde a compreensão humana, por meio da fé, consegue alcançar esse mistério.
O grande cisma, por assim dizer, que existia à época, era o pensamento da corrente ariana, que defendia a inferioridade de Jesus, pois, segundo essa argumentação, Ele foi criado dentro de um espaço cronológico, “houve um tempo em que [o Filho] não existia, antes de nascer ele não existia” (COMISSÃO TEOLÓGICA INTERNACIONAL, 2025, n. 11), por essa razão era inferior e não consubstancial, “mas apenas a criatura mais eminente do Pai, e que não é coeterno com Ele.” [1] Contrapondo essa visão perigosa, os padres do Oriente e do Ocidente, não apenas com tratados teológicos, mas com o esclarecimento da fé nicena, dirigiram seus sermões aos fiéis, buscando defender-los dessa visão ariana errônea, e para isso o prólogo do Evangelho de João (1,1-17) “ oferece detalhada essa oportunidade para explicar a relação entre o Pai e o Filho, ou entre ‘Deus’ e a sua ‘Palavra’”, conforme a confissão de Niceia.

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